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AFEAESP

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\ Memória AFEAESP

Momento histórico – “Caldo cultural”

A AFEAESP é fruto do processo geral de luta pelas liberdades democráticas, que contagiou o Brasil em fins da década de 70, desde as mobilizações pela anistia, a explosão das grandes greves no ABC, passando pelo movimento “Diretas Já”, com uma legião de brasileiros exigindo o fim da ditadura.

Esse “caldo cultural”, democrático e participativo, teve um impacto forte na FGV-EAESP. Estimulou um grande grupo de funcionários administrativos, descontentes com a carestia, a decadência das relações trabalhistas e o arrocho salarial, a eclodir a primeira greve na Escola, em 1987, com 100% de participação do corpo administrativo e o apoio do corpo docente e discente. Sua bandeira era: o reajuste salarial e a implantação de um Plano de Cargos e Salários.

Origem e motivos da greve

A greve ocorreu de uma indignação dos funcionários administrativos quando ficaram sabendo que somente os professores teriam reajuste salarial. O primeiro movimento iniciou-se a partir de uma reunião na antiga DVI (Divisão de Informática), na ocasião localizada no 4º andar, com representantes de todos os departamentos, que decidiram iniciar uma paralisação (greve branca) por algumas horas em sinal de protesto. Dentre esses representantes, um grupo tentou falar com os Diretores da Escola e não foi recebido. A partir desse momento, eclodiu a greve. O Professor Vilella, na época Vice-Diretor Administrativo, recebendo pressão da FGV, Rio de Janeiro, convocou todos os funcionários para uma reunião e alertou os presentes de que a FGV iria “jogar pesado”. Na seqüência, os alunos e alguns professores aderiram à greve, em apoio aos funcionários administrativos, e o Professor Marcos Cintra, na época Diretor da Escola, se viu obrigado a fechá-la por três dias.

Fala Tito Antunes

“As negociações salariais tiveram início na FGV-EAESP a partir da deflagração de uma greve dos funcionários administrativos no final de 1987. Esse movimento foi desencadeado pela inexistência de uma política salarial interna, pois a FGV, mantenedora da FGV-EAESP, apenas cumpria as determinações legais. As reivindicações básicas dos funcionários eram: reposição das perdas salariais e implantação de um Plano de Cargos e Salários.

O movimento durou seis dias e, pela primeira vez na história da FGV-EAESP, foi formada uma Comissão de Negociação que, em conjunto com o sindicato, deu início ao processo de negociação salarial. Talvez pela inexperiência da própria FGV e dos funcionários em negociações salariais, esse processo foi muito complexo, pois a FGV-EAESP, apesar de ser considerada a melhor Escola de Administração de Empresas da América Latina, nunca havia enfrentado esse tipo de conflito.

Em razão da forma pela qual a negociação foi conduzida, toda a comunidade foi envolvida, desde o D.A., por intermédio de sua diretoria, até a Direção Geral da FGV, por meio de seu Superintendente-Geral, que veio a São Paulo especificamente para negociar com os funcionários.

Procuramos conduzir o processo de negociação de forma organizada e séria, e o responsável maior por essa organização foi o sindicato (SENALBA), pois nunca havíamos enfrentado tal situação, porém tínhamos ciência da responsabilidade e da gravidade do problema.

Durante o processo, procuramos colher o maior número de informações possíveis, desde levantamento dos salários internos até pesquisas realizadas em outras instituições. A colaboração dos funcionários foi de suma importância, pois, sem essa colaboração e apoio, provavelmente não teríamos atingido os resultados que obtivemos.

Ao final das negociações, conseguimos um reajuste médio de 31% e o compromisso de elaboração do Plano de Cargos e Salários, mas a conquista maior foi o espaço político até então negado.

Os funcionários rompem com a ASFGV e criam a AFEAESP

Sendo a greve maciça e vitoriosa, um grupo de funcionários, encabeçado por Tito Antunes, Carlos “Argentino”, José Carlos “Baiano”, Marizilda, Bete, Wagna, Madalena, Heraldo, Rosicléia, Lázaro, Guilherme Pinder, Diva Sato, José Carlos Vitorino e outros, não querendo que o movimento iniciado se esvaziasse, passou a discutir o futuro deste. Os funcionários decidiram criar sua própria organização, com nova estrutura, raízes na FGV-EAESP e que fosse a representante legítima dos funcionários perante a FGV, já que a ASFGV em São Paulo, controlada pela Diretoria da Escola, era inoperante e não cumpria sua função básica que era oferecer aos funcionários o mínimo necessário para que eles pudessem lutar por melhores condições de trabalho e salários dignos, lazer para todos e uma ampla rede de benefícios aos seus quadros associativos.

Fala Tito Antunes

“A partir desse instante, os funcionários começaram a se reunir, regularmente, em vários departamentos, para tratar de assuntos de interesse da comunidade eaespiana. Mesmo existindo um órgão oficial de representação da comunidade no Rio de Janeiro, havia a necessidade de se criar um órgão para representar os funcionários administrativos e os professores da FGV-EAESP, pois a distância entre Rio e São Paulo tornava nula tal representatividade. O processo de desvinculação com o Rio de Janeiro durou aproximadamente quatro meses. Em agosto de 1988, em Assembléia Geral, funcionários administrativos e professores fundaram a AFEAESP, com o objetivo de congregar os funcionários administrativos e os professores, defender seus direitos e promover atividades sociais, culturais e recreativas. Alguns desses fatos, propulsores da idéia de formação da Associação, e outros sintomas justificaram sua criação, tais como, ter uma Associação cuja duração extrapolasse a época de negociações das datas-base e de reajustes salariais, e que trabalhasse em prol de aspectos importantes para todos os seus integrantes, que estão diretamente ligados a promoção do bem-estar social de cada participante da Associação. Foi o elevado espírito de participação que conseguiu criar a Associação...”

Em 11 de agosto de 1988, nasce a AFEAESP

Participando de várias reuniões e de uma assembléia, o companheiro Vitoldo, na época presidente da ASFGV, após vários embates, democraticamente reconheceu a legitimidade do pleito de São Paulo e aceitou desativar a seção de São Paulo da ASFGV para não haver conflito de representação na FGV.

Em 11 de agosto de 1988, depois de um amplo e profundo debate entre funcionários administrativos e professores, nasceu a AFEAESP em sua assembléia de fundação, com a presença de 53 funcionários (administrativos e professores), sob a coordenação de José Carlos Vitorino e Madalena Sofia M. Wada (in memoriam). Na assembléia, surgiram dois blocos: o “Vai ou Racha”, liderado por Carlos “Argentino” Agoglia (in memoriam), e o “MRPA”, liderado por Tito Antunes (in memoriam).

Essas correntes divergiam fundamentalmente em três pontos: sócios honorários, participação dos professores nos quadros da associação e definição do organograma desta. No debate, por votação, prevaleceu a inclusão do conceito de sócio honorário para os sócios que fossem demitidos da Escola, mas que tivessem prestado relevantes serviços à Associação, e a participação dos professores nos quadros da AFEAESP, no entendimento de que mesmo que seus interesses não fossem os mesmos que os dos administrativos, de qualquer forma também eram funcionários e poderiam prestar relevantes serviços à AFEAESP. Em consenso, o organograma foi aprovado com a composição de uma Diretoria Executiva e um Conselho Fiscal formado por um representante de cada departamento da Escola.

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